QUALQUER COISA
qualquer dor entranha
qualquer uma arranha
lanha
qualquer um açoita
qualquer corpo apanha
qualquer coisa invisível adultera
esteriliza
dilacera
e degenera a fibra
qualquer coisa
desanima em santidade
delibera
e vive de extremidade
qualquer coisa morre
qualquer coisa é consumada
com um tédio que o mundo comporta
qualquer coisa é ser
irreversível
mesmo onde acabar é possível
quando a dor entranha
arranha
lanha
e o próprio corpo apanha
acariciando o chão.
© 1980-2002 xenïa antunes. Todos os direitos reservados.
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