VIDA EMOCIONAL

 

 

 

 

Sou eu

imitada num espelho que acusa

batom e púrpura liquefeitos em emoções

checando a lágrima infalível

expondo o ardil de fabricar manchas violáceas

com persuasão

(face mais usual, referendada no divã do analista

que me quis transacionada).

 

Às vezes sou eu

e um impossível tiro na nuca

– o livre-arbítrio de quem já está nascida.

 

Nem sempre sou eu

quando reflexo do eu coletivo

ou quando reflito sobre o teu motivo

– que há a inquisição

que eu detesto e me apavora.

 

Mas quase sempre sou eu

a vacina da família nascida nos lençóis da bahia

parida noutra baía em tempo de depressão

- pois era pra ser deprimida e conter a rebelião.

 

Que nunca fui eu

a pedra monolítica fatídica, esta não.

Fingiram-me amestrada, égua de pelo macio

comum a todos os campos de ação

que em tudo há conveniência.

 

E fui eu que roubei-os a todos

da comoção à razão

quando tive na vida o primeiro cio de paixão.

 

 

 

     

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