VIDA EMOCIONAL
Sou eu
imitada num espelho que acusa
batom e púrpura liquefeitos em emoções
checando a lágrima infalível
expondo o ardil de fabricar manchas violáceas
com persuasão
(face mais usual, referendada no divã do analista
que me quis transacionada).
Às vezes sou eu
e um impossível tiro na nuca
– o livre-arbítrio de quem já está nascida.
Nem sempre sou eu
quando reflexo do eu coletivo
ou quando reflito sobre o teu motivo
– que há a inquisição
que eu detesto e me apavora.
Mas quase sempre sou eu
a vacina da família nascida nos lençóis da bahia
parida noutra baía em tempo de depressão
- pois era pra ser deprimida e conter a rebelião.
Que nunca fui eu
a pedra monolítica fatídica, esta não.
Fingiram-me amestrada, égua de pelo macio
comum a todos os campos de ação
que em tudo há conveniência.
E fui eu que roubei-os a todos
da comoção à razão
quando tive na vida o primeiro cio de paixão.
© 1980-2002 xenïa antunes. Todos os direitos reservados.
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