TEATRO DE MISTÉRIO
É limiar
– noite e dia –
entremeada mentira.
(Trago a alcoolizada angústia,
o olhar maníaco e desentendido.)
Fora é dia? É noite? É tempo ainda?
Roteiro:
as alavancas progressistas
sofisticados equipamentos
dessemelhanças de mim
– sou uma caricatura ostentada.
Leio o script.
Gargalhadas.
Mais água
mais ar
mais
mais.
Tudo responde mais seco
mais sombrio
mais arredio.
(Quem foi que disse que na vida
ou se é público ou se é ator?)
Fim do I ato.
A atriz busca o recato
alisa o gato
calça o sapato
aceita a rosa do soldado.
Platéia: que bom soldado!
© 1980-2002 xenïa antunes. Todos os direitos reservados.
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