TEATRO DE MISTÉRIO

 

 

 

 

É limiar

–  noite e dia –

entremeada mentira.

                   

(Trago a alcoolizada angústia,

o olhar maníaco e desentendido.)

 

Fora é dia? É noite? É tempo ainda?

 

Roteiro:

as alavancas progressistas

sofisticados equipamentos

dessemelhanças de mim

– sou uma caricatura ostentada.

Leio o script.

Gargalhadas.

Mais água

mais ar

mais

mais.

Tudo responde mais seco

mais sombrio

mais arredio.

 

(Quem foi que disse que na vida

ou se é público ou se é ator?)

 

Fim do I ato.

 

A atriz busca o recato

alisa o gato

calça o sapato

aceita a rosa do soldado.

 

Platéia: que bom soldado!

 

 

 

           

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