BRASÍLIA

 

 

...

Niemayer e eu discordamos

a respeito do concreto aparente

eu que prefiro as cores quentes ao sul

e um degradée relaxante ao norte.

Confesso também

que certas armações abalaram a minha fé

e gostaria de recuperar todos os encontros

que não me aconteceram

nas esquinas ausentes.

 

...

Porque, Lúcio

depois de tantos anos

já refiz meus planos:

nada mais justo que eu paire

acima dos ministérios

praças, pracinhas e poderes

distribuindo versos e manifestos em papel molhado

que o vento de agosto irá fazer desabar

sobre empresários e peões

artistas, místicos e ladrões.

 

...

A arte, Brasília, há de te amparar

e justificar a esperança do terceiro milênio.

Que sejas poesia, Brasília,

e noites de insônia vigiando

objetos voadores não identificados.

 

 

           

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