BRASÍLIA
...
Niemayer e eu discordamos
a respeito do concreto aparente
eu que prefiro as cores quentes ao sul
e um degradée relaxante ao norte.
Confesso também
que certas armações abalaram a minha fé
e gostaria de recuperar todos os encontros
que não me aconteceram
nas esquinas ausentes.
...
Porque, Lúcio
depois de tantos anos
já refiz meus planos:
nada mais justo que eu paire
acima dos ministérios
praças, pracinhas e poderes
distribuindo versos e manifestos em papel molhado
que o vento de agosto irá fazer desabar
sobre empresários e peões
artistas, místicos e ladrões.
...
A arte, Brasília, há de te amparar
e justificar a esperança do terceiro milênio.
Que sejas poesia, Brasília,
e noites de insônia vigiando
objetos voadores não identificados.
© 1988-2002 xenïa antunes. Todos os direitos reservados.
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