TERRA E PAZ

 

 

 

Nesta terra não tenho saudade de lugar nenhum

nem quero voltar para o senso comum.

Quero a flor plantada crescendo sem vaidade

o horizonte escancarado prometendo sossego

e a ignorância das voltas que o mundo dá.

Quero a displicência camponesa

um suor no rosto e o olhar

de quem já sabe a hora de cortejar o sol.

Quero a terra sem ciência

e em que se plantando tudo dá

- o milho, o trigo, o feijão

as folhas de chá, os legumes

as verduras mais verdes de leviana esperança.

Quero esta terra

assim cercada só de carinho

sem dono

sem certidão

nem nome de latifúndio:

a terra assim não possuída

e mais que amada,

querida,

tratada por mãos piedosas

com o  jeito humilde que semeia

e faz promessa

e cumpre

e não negocia propriedade.

Quero a terra assim permitida a tanta gente -

quero, pois, a terra toda

doada livremente

sem acusação de posseiro ou fazendeiro,

sem briga de índio, branco fardado ou civil.

Quero a terra assim permitida a toda gente

para lhe fazer chover necessário

colorir de dourado seu cheiro molhado

para lhe poupar.

Quero a terra no cio por toda gente

para que nos sustente então

aqui e no fim.

Por mim, quero a terra em liberdade

porque não sou senhor

e na terra e nesta terra serei sempre terra.

Porque no mar serei o mar que trará vento e água

e decidirá o tempo das colheitas.

E no ar serei o ar que cuidará

que terra e gente saibam se amar.

 

 

           

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