AMANHÃ
Segunda-feira (que é de Lua).
Um dia quente, elétrico.
As máquinas reaquecidas.
Tudo se movimenta outra vez.
Rapidamente.
Estupidamente.
A Humanidade se auto-aniqüila
todas as segundas-feiras.
Pouco se faz amor.
Aparafusam o tempo.
Sucumbem flores e frutos.
As carnes desfilam pela beneficência social.
Segunda-feira.
Negocio a vida.
Roubam-me os juros.
Não pagam os prejuízos.
Ai, o que rima é o estado com o Estado.
E o medo da polícia.
- Vai, Humanidade, bater um recorde galáctico!
Eu me abençôo e aqui mesmo me supero em êxtase.
Devo literaturar a existência.
Que de vez em quando vivo bem e muito.
Mas te acho pouca e boba no universo todo.
© 1978-2002 xenïa antunes. Todos os direitos reservados.
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