AMANHÃ

 

 

Segunda-feira (que é de Lua).

Um dia quente, elétrico.

As máquinas reaquecidas.

Tudo se movimenta outra vez.

Rapidamente.

Estupidamente.

A Humanidade se auto-aniqüila

todas as segundas-feiras.

Pouco se faz amor.

Aparafusam o tempo.

Sucumbem flores e frutos.

As carnes desfilam pela beneficência social.

Segunda-feira.

Negocio a vida.

Roubam-me os juros.

Não pagam os prejuízos.

 

Ai, o que rima é o estado com o Estado.

E o medo da polícia.

 

- Vai, Humanidade, bater um recorde galáctico!

 

Eu me abençôo e aqui mesmo me supero em êxtase.

Devo literaturar a existência.

Que de vez em quando vivo bem e muito.

Mas te acho pouca e boba no universo todo.

 

                      

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