VALIUM
É o sono
Das mulheres que não atormentam seus maridos
Nem necessitam amantes
É o sono que trata sonhos e fantasias
Permitindo alguma baba no travesseiro
Um sono no garrote
No braço apertado
Na veia frágil
No sangue fervente
Um stop na fala lábil
Um sono incolor
Um romance científico
Um coma na emoção
Um sono no esquecimento
Bêbado veneno
Morrendo uma noite de dormir
De acordo com o regulamento.
Um sono que não bate à máquina depois das dez
Que não ama depois das dez
Que dá sossego aos que nos amam tanto
Um sono de amor com valium
E depois café com valium
Almoço, jantar e eternidade com valium
Em generosos miligramas.
© 1988-2002 xenïa antunes. Todos os direitos reservados.
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