CINEMA
Eu sei da minha gostosura,
Da minha ternura
Do meu sexo.
Mas não sou um moranguinho, bem.
Não sou um batonzinho bem aplicado.
Minha boca é mordaz, sim,
De tanto freqüentar personagens.
Mas a minha delicadeza
É feita de chuva na sessão das quatro
E de tempestade na sessão das dez.
No cinema vazio
Eu sou um celulóide de Jeanne Moreau.
Há algo no meu rosto,
Na solidão do meu rosto:
A alegria triste do seu rosto.
E há um adolescente, baby,
Entre as pernas de Jeanne Moreau,
Na vagina de Jeanne Moreau.
(E ele é um homem, no entanto
Amando Jeanne Moreau.
Enquanto eu me dispo e me assisto
No papel de Jeanne Moreau.)
© 1988-2002 xenïa antunes. Todos os direitos reservados.
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