CINEMA

 

 

Eu sei da minha gostosura,

Da minha ternura

Do meu sexo.

Mas não sou um moranguinho, bem.

Não sou um batonzinho bem aplicado.

Minha boca é mordaz, sim,

De tanto freqüentar personagens.

Mas a minha delicadeza

É feita de chuva na sessão das quatro

E de tempestade na sessão das dez.

 

No cinema vazio

Eu sou um celulóide de Jeanne Moreau.

Há algo no meu rosto,

Na solidão do meu rosto:

A alegria triste do seu rosto.

E há um adolescente, baby,

Entre as pernas de Jeanne Moreau,

Na vagina de Jeanne Moreau.

 

(E ele é um homem, no entanto

Amando Jeanne Moreau.

Enquanto eu me dispo e me assisto

No papel de Jeanne Moreau.)

 

 

 

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