A FUGA É UMA DISCIPLINA

 

 

 

É, nós não nos amamos.

Não lemos a carta do céu

Não desalinhamos lençóis

E nem procuramos a convergência

Dos nossos cismáticos corpos.

Não, não houve têmpera para o amor

Mesmo com todas as conveniências.

 

Tampouco atentamos para o despudor

Tão candidamente necessário

Para alarmar a morna paixão

Que já antevia nos carinhos fortuitos

Os nervos salientes do desejo.

 

É, nós não nos indiciamos com palavras

Que revelassem a voragem de nos macularmos.

E se pecamos foi apenas na promessa

De tantos mas tão poucos beijos.

 

E assim resistimo-nos.

E nada mais nos prometemos.

E este é o nosso pacto

Desumano, demasiadamente desumano.

 

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