A FUGA É UMA DISCIPLINA
É, nós não nos amamos.
Não lemos a carta do céu
Não desalinhamos lençóis
E nem procuramos a convergência
Dos nossos cismáticos corpos.
Não, não houve têmpera para o amor
Mesmo com todas as conveniências.
Tampouco atentamos para o despudor
Tão candidamente necessário
Para alarmar a morna paixão
Que já antevia nos carinhos fortuitos
Os nervos salientes do desejo.
É, nós não nos indiciamos com palavras
Que revelassem a voragem de nos macularmos.
E se pecamos foi apenas na promessa
De tantos mas tão poucos beijos.
E assim resistimo-nos.
E nada mais nos prometemos.
E este é o nosso pacto
Desumano, demasiadamente desumano.
© 1988-2002 xenïa antunes. Todos os direitos reservados.
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