CARPE DIEM (XVIII)

 

 

 

 

É preciso chorar

mas está acontecendo a melhor sopa da cidade

a melhor da tua vida talvez.

E as lágrimas se disfarçam com um chiado qualquer

um som que reproduza sucção

se não é a vida uma onomatopéia.

 

O garçom alcooliza a minha

a tua

a nossa desgraça

(pra que rimar amor e dor?)

e nos embebedamos:

 

um brinde

ao partido brahma chopp

traga a cachaça, vou berrar na praça

o meu amor que eu tenho converteram em delito

sou apenas uma mulher velha

lamentarei sempre minha juventude

moreno bonito

impeachment no bar do poeta

o diabo não sabe mais

façam jogo, senhores

olha o urubu no telhado

qualquer corpo apanha

perdão – se houvera

o rei morreu

nas intermináveis filas do sexo

levado a cabo por sutis manobras

joão amava maria

o olhar ultramarino sonso

é porta fechada pra tua passagem

mira que ira

que eu quisera ser a mulher amada

eu já te amo como sinfonia

que aí no Leme o mar é teu

sou uma mulher fraturada

queria era morrer sem arrependimento

olhando pra você retilínea

ah

tu me matas

tu me consolas.

 

 

        

                                                 

 

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