CARPE DIEM (XIV)
A sexta-feira é sangüínea.
Qualquer um
pode pretender caçar bruxas
matar amantes em encruzilhadas
trepar mulheres infantis
ouvir poetas malcasados
consolar bichas em declínio
conversar com as putas velhas das cercanias mesmo
sair pela tangente
instituir a poliandria
assistir a performance do john wayne
usar um vestido amarelo
viabilizar o apocalipse
fazer declaração de bens
brincar com a própria adrenalina
psicanalisar a raça
resistir
converter
rebater
contestar
ceder
repicar
transcender.
Sexta-feira se repete em sociedades fechadas
enquanto um furacão
surpreende os habitantes
de uma ilha perdida no Pacífico.
© 1980-2002 xenïa antunes. Todos os direitos reservados.
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