CARPE DIEM (XIV)

 

 

 

 

A sexta-feira é sangüínea.

Qualquer um

pode pretender caçar bruxas

matar amantes em encruzilhadas

trepar mulheres infantis

ouvir poetas malcasados

consolar bichas em declínio

conversar com as putas velhas das cercanias mesmo

sair pela tangente

instituir a poliandria

assistir a performance do john wayne

usar um vestido amarelo

viabilizar o apocalipse

fazer declaração de bens

brincar com a própria adrenalina

psicanalisar a raça

resistir

converter

rebater

contestar

ceder

repicar

transcender.

 

Sexta-feira se repete em sociedades fechadas

enquanto um furacão

surpreende os habitantes

de uma ilha perdida  no Pacífico.

 

 

 

                                                      

 

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