CARPE DIEM (XII)
Privada e privacidade.
Cantar, desafinar, brincar, fazer coisas
tudo que se aprendeu como atentado ao pudor.
Água, um sabonete que limpe, desinfete
mate germes, desodorize e ainda perfume.
Água, água-de-cheiro, água de colônia, água benta
a eterna farsa da fêmea naturalmente perfumada
assim se insinua a mulher que sabe o que quer
– sorria, você está sendo filmada –
não te dão tranqüilidade.
E o espelhinho a instigar transgressões
a recitar punições
minha cara pálida
procurando minha cara-pálida
no espião que possui até a estratégia do lugar.
Disfarçar, rápido!
mostrar-lhe a língua vermelha, uma careta horrorosa
desencadear uma série de contorções faciais
mil personalidades hão de confundir o inquiridor.
É isso, a multiplicidade de crimes e criminosos
a confusão da identificação
e depois
o perdão geral pra culpa geral.
© 1980-2002 xenïa antunes. Todos os direitos reservados.
home | artista | galerias | artemail | literatura | jornalismo | fotografia
arquivosxis | bluenotes | contato | links