CARPE DIEM (XII)

 

 

 

 

Privada e privacidade.

Cantar, desafinar, brincar, fazer coisas

tudo que se aprendeu como atentado ao pudor.

Água, um sabonete que limpe, desinfete

mate germes, desodorize e ainda perfume.

 

Água, água-de-cheiro, água de colônia, água benta

a eterna farsa da fêmea naturalmente perfumada

assim se insinua a mulher que sabe o que quer

– sorria, você está sendo filmada –

não te dão tranqüilidade.

 

E o espelhinho a instigar transgressões

a recitar punições

minha cara pálida

procurando minha cara-pálida

no espião que possui até a estratégia do lugar.

 

Disfarçar, rápido!

mostrar-lhe a língua vermelha, uma careta horrorosa

desencadear uma série de contorções faciais

mil personalidades hão de confundir o inquiridor.

 

É isso, a multiplicidade de crimes e criminosos

a confusão da identificação

e depois

o perdão geral pra culpa geral.

 

 

         

                                                     

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